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Brasil consolida liderança agrícola global e aprofunda parceria estratégica com a China
Tempo de liberação:2026-09-30
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O Brasil consolidou-se como principal fornecedor mundial de soja e um dos maiores exportadores de açúcar, carne, algodão e biocombustíveis, num contexto em que a China se afirma como o seu maior parceiro comercial no sector agroalimentar. A complementaridade entre a capacidade produtiva brasileira e a crescente procura chinesa estruturou uma relação estratégica que reforça o papel do país na segurança alimentar internacional e projeta a sua liderança até, pelo menos, 2035.


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Foto: Brasil principal fornecedor mundial de soja.

Foto: Seabrae


Essa liderança assenta numa base produtiva de escala continental, apoiada em ganhos tecnológicos, expansão territorial e crescente integração logística. Ao longo das últimas duas décadas, o agro transformou-se num dos motores centrais da economia brasileira e num dos pilares da sua projeção internacional.


Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio representou 23,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2023, último dado consolidado disponível[2].


No mesmo período, o sector empregava cerca de 28 milhões de pessoas — aproximadamente 26% do total de ocupações no país[2] — confirmando o seu papel estruturante na criação de rendimento, estabilidade macroeconómica e equilíbrio da balança comercial.


O agronegócio brasileiro converteu escala produtiva em poder económico, demonstrando que a competitividade agrícola pode funcionar como instrumento de estabilidade macroeconómica e de projeção internacional.


Brasil como eixo da segurança alimentar global


As projeções internacionais reforçam o carácter estrutural desta posição. Segundo relatório conjunto da OCDE e da FAO publicado em Junho de 2026, o Brasil deverá responder por cerca de 61% das exportações globais de soja até 2035[1] e por aproximadamente 55% do comércio mundial de açúcar. O país consolida-se igualmente como maior exportador de algodão bruto e mantém posição de destaque no mercado internacional de proteínas animais.


No sector dos biocombustíveis, o Brasil preserva a liderança em etanol de cana-de-açúcar e expande de forma consistente o etanol de milho, reforçando a sua presença na transição energética global.


A centralidade do Centro-Oeste — particularmente do Mato Grosso — bem como a expansão produtiva em Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) evidencia a dimensão territorial e a diversificação geográfica da produção agrícola brasileira. A combinação entre escala, inovação tecnológica adaptada ao clima tropical e integração logística sustenta ganhos de produtividade que colocam o país numa posição singular no cenário internacional.


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Em 2025, o Brasil exportou 108,1 milhões de toneladas de soja, após uma produção estimada em cerca de 171,5 milhões de toneladas na safra 2024/2025[3]. O volume consolidou o país como principal fornecedor mundial da oleaginosa e reforçou o peso do agro na balança comercial.


A evolução da relação agro Brasil–China


A China tornou-se o maior parceiro comercial global do Brasil em 2009, assumindo progressivamente posição central nas trocas bilaterais. Em 2025, segundo dados das Estatísticas dos Serviços de Alfândega da China divulgados pelo Fórum Macau, as trocas comerciais bilaterais totalizaram aproximadamente 187,99 mil milhões de dólares[4].


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Entre 2019 e 2025, segundo dados oficiais da Administração Geral das Alfândegas da China, a evolução do comércio bilateral foi a seguinte: 114,68 mil milhões USD (2019), 108,66 mil milhões USD (2020), 161,19 mil milhões USD (2021), 171,49 mil milhões USD (2022), 181,53 mil milhões USD (2023), 188,17 mil milhões USD (2024) e 187,99 mil milhões USD (2025)[4]. A série evidencia a contração registada durante a pandemia em 2020, seguida de forte recuperação em 2021 e estabilização em patamar elevado no biénio 2024–2025.


As exportações chinesas para o Brasil atingiram 71,59 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do Brasil ascenderam a 116,40 mil milhões de dólares[4], mantendo um saldo favorável ao lado brasileiro. Em termos homólogos, o comércio bilateral registou variação de -0,1%, com ligeira retração das exportações chinesas (-0,7%) e crescimento das importações (+0,3%).


No sector agroalimentar, a consolidação ocorreu ao longo da primeira metade da década de 2010, período em que a procura chinesa por soja brasileira cresceu de forma sustentada.


Entre 2010 e 2014, a China passou a absorver a maioria das exportações brasileiras de soja, transformando a oleaginosa no eixo estruturante da relação bilateral. A partir de 2013, consolidou-se como o maior mercado individual do agronegócio brasileiro em valor, posição que se reforçou nos anos seguintes com o aumento das compras de carne bovina, carne de frango, celulose, açúcar e algodão.


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Foto: Produção reforçada de algodão a partir de 2013.

Foto: Safras e Mercado


Atualmente, a China absorve cerca de um terço do valor total das exportações do agronegócio brasileiro. No caso da soja, representa a maior parcela dos embarques nacionais, consolidando uma interdependência estrutural na segurança alimentar asiática.


Ainda assim, o perfil exportador brasileiro mantém diversificação geográfica relevante. União Europeia, Médio Oriente, países asiáticos e outros mercados emergentes continuam a desempenhar papel importante nas cadeias de açúcar, carnes, algodão, milho e produtos processados. Essa dispersão mitiga riscos comerciais e reforça a posição do Brasil como fornecedor global sistémico.


Protagonismo empresarial brasileiro


A liderança agrícola brasileira é sustentada por um conjunto de grupos empresariais nacionais com presença global. Empresas como JBS, Marfrig e BRF consolidaram o Brasil como potência mundial no comércio de proteínas animais, com forte inserção no mercado chinês e em múltiplos destinos internacionais.


No sector de grãos, grupos como Amaggi e SLC Agrícola desempenham papel relevante na produção e comercialização de soja em larga escala, especialmente na região do Centro-Oeste. Na área de bioenergia, a Raízen destaca-se como referência na produção de etanol e energia renovável.


Esse ecossistema empresarial demonstra que o protagonismo produtivo, tecnológico e regulatório permanece essencialmente brasileiro, ainda que integrado a cadeias globais de comércio e investimento.


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Foto: Porto de Santos, Estado de São Paulo.

Foto: Macaulink


Integração logística e cooperação estratégica


A modernização da infraestrutura constitui um dos pilares da consolidação da liderança brasileira. A expansão portuária, ferroviária e de processamento interno ampliou a eficiência do escoamento da produção.


Entre os actores internacionais com presença consolidada no país encontra-se a COFCO International, subsidiária global do grupo estatal chinês COFCO. A empresa investe em originação, logística e processamento, integrando-se às cadeias produtivas brasileiras.


No Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, projetos de expansão reforçam a capacidade operacional e a competitividade nas exportações de grãos e açúcar. No Centro-Oeste, investimentos ferroviários fortalecem o corredor logístico entre áreas produtoras e o litoral. Em Rondonópolis, no Mato Grosso, a ampliação do processamento de soja contribui para agregar valor dentro do território nacional.


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Foto: Carregamento de soja.

Foto: UAA


A presença de investidores internacionais insere-se num modelo de complementaridade estratégica, no qual a produção, a regulação ambiental e a estrutura fundiária permanecem sob jurisdição brasileira.


Em 2025, a COFCO International registou receita aproximada de US$ 34,5 mil milhões[5], com reforço das operações de originação e expansão de instrumentos de financiamento verde.


Esse crescimento ocorreu em complementaridade com a capacidade produtiva e logística brasileira. Em declarações públicas, representantes da empresa destacaram o papel “fundamental” do Brasil na estratégia global do grupo, reconhecendo o país como um dos principais centros agrícolas do mundo.


Diplomacia económica e visão de longo prazo


A dimensão estratégica da parceria foi reforçada em 13 de Maio de 2025[6], durante a visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Pequim, quando Brasil e China assinaram 20 actos de cooperação e anunciaram outros 16 instrumentos adicionais nas áreas de agricultura, ciência e tecnologia, finanças, energia, sustentabilidade e infraestrutura.


Entre os entendimentos destacam-se a articulação entre programas de desenvolvimento nacionais e a Iniciativa Cinturão e Rota, a renovação do acordo de swap cambial entre o Banco Central do Brasil e o Banco Popular da China — com limite aprovado de até R$ 157 mil milhões e validade de cinco anos[6] — e novos protocolos sanitários que ampliam o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado chinês.


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Foto: Presidentes do Brasil Lula da Silva e da China Xi Jinping reunidos em Pequim, em Maio de 2025.

Foto: Xinhua


A imagem do Presidente Lula e do Presidente Xi Jinping em Pequim simboliza uma relação que ultrapassa o comércio de commodities e se afirma como parceria estruturante de longo prazo.


Num cenário internacional marcado por volatilidade geoeconómica e desafios climáticos, o Brasil demonstra capacidade de transformar escala produtiva em influência estratégica. A cooperação com a China amplia mercados, fortalece investimentos e consolida o país como um dos pilares centrais da segurança alimentar global nas próximas décadas.


Durante a visita oficial a Pequim, em 13 de Maio de 2025, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou que Brasil e China mantêm uma “parceria estratégica baseada na confiança política e na complementaridade económica”, enquanto o Presidente Xi Jinping afirmou que os dois países são “parceiros estratégicos globais e forças positivas para a estabilidade e o desenvolvimento mundial”. As declarações sintetizam a profundidade de uma relação que transcende o comércio de “commodities” (matérias primas) e se afirma como eixo estruturante da cooperação Sul-Sul no século XXI.



Fontes

[1] OECD & FAO. Agricultural Outlook 2026–2035. Paris/Roma, junho de 2026.

[2] CEPEA/USP & CNA. PIB do Agronegócio Brasileiro – Dados Consolidados 2023.

[3] USDA – World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE) 2025; CONAB – Acompanhamento da Safra Brasileira 2024/2025.

[4] Administração Geral das Alfândegas da China. Estatísticas do Comércio China–Brasil (2019–2025), divulgadas pelo Fórum Macau, 2026.

[5] COFCO International. Annual Report 2025.

[6] Governo da República Federativa do Brasil. Atos assinados durante a visita oficial à China, 13 de maio de 2025.