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Brasil e China: Uma Nova Fronteira Turística
Tempo de liberação:2026-08-20
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O Brasil, maior país da América do Sul e quinto maior do mundo em extensão territorial, ocupa uma posição estratégica no Atlântico Sul e constitui a principal porta de entrada para o subcontinente sul americano. Com uma população superior a 213 milhões de habitantes, uma economia diversificada e uma extraordinária riqueza ambiental que inclui a Amazónia, o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, além de mais de sete mil quilómetros de litoral, o país reúne condições estruturais únicas para se afirmar como uma potência turística global.

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Rio de Janeiro
Foto: Shutterstock


Essa dimensão continental traduz se numa oferta turística de escala mundial. O Brasil possui 24 sítios inscritos na Lista do Património Mundial da UNESCO, entre bens culturais, naturais e mistos[1]. Entre eles encontram se o Centro Histórico de Salvador, Brasília – capital modernista classificada como património cultural da humanidade –, o Parque Nacional do Iguaçu e extensas áreas protegidas da Amazónia. Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Brasília, Foz do Iguaçu e Manaus funcionam como portas de entrada para experiências que combinam património histórico, natureza de dimensão planetária e diversidade cultural singular. O Carnaval do Rio de Janeiro, reconhecido como o maior espectáculo cultural ao ar livre do mundo, constitui um dos eventos turísticos mais emblemáticos e internacionalmente mediáticos do país, projectando a imagem do Brasil como destino de criatividade, energia e identidade cultural própria.

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 Foz do Iguaçu

Foto: Shutterstock


Viajar para o Brasil significa, assim, atravessar múltiplos biomas, experimentar gastronomias regionais distintas, contactar com tradições afro brasileiras, indígenas e europeias, e descobrir paisagens naturais impossíveis de replicar noutro território. Poucos países oferecem, dentro de uma única fronteira, tal combinação de património reconhecido internacionalmente, natureza exuberante e vitalidade urbana contemporânea.


Este potencial traduz se em resultados concretos. Em 2025, o Brasil registou 9.287.196 entradas de visitantes internacionais, o maior número da sua série histórica[2]. Este desempenho representou um marco decisivo na consolidação da recuperação pós pandemia e superou metas inicialmente estabelecidas no Plano Nacional de Turismo 2024 2027. O dinamismo manteve se no início de 2026: apenas no mês de Janeiro, o país recebeu 1.401.476 turistas estrangeiros[3], confirmando a trajectória ascendente do sector e reforçando a confiança na sua expansão sustentada.

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É neste contexto que a dimensão China assume carácter estratégico.


Entre Janeiro e Dezembro de 2025, o Brasil recebeu 103.122 turistas provenientes da China, representando um aumento de 35% face a 2024[4]. O crescimento manteve se em 2026: apenas no primeiro trimestre do ano, o país registou mais de 26,4 mil visitantes chineses, um acréscimo de 30,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior[4]. Estes números confirmam o dinamismo do mercado chinês e demonstram que a trajectória ascendente antecede e acompanha as medidas de facilitação de mobilidade adoptadas pelos dois países.


Em 11 de Maio de 2026 entrou em vigor a política de isenção recíproca de vistos entre Brasil e China, permitindo que cidadãos chineses portadores de passaporte comum ingressem no Brasil por até 30 dias sem necessidade de visto[5]. A medida, válida até 31 de Dezembro de 2026, abrange turismo, negócios, actividades culturais e participação em eventos[5]. Trata se de um passo político de elevada relevância estratégica, eliminando uma das principais barreiras administrativas ao fluxo bilateral e sinalizando maturidade e confiança na parceria entre os dois países.

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Paralelamente, a imprensa chinesa especializada registou impacto imediato do anúncio da isenção de vistos. Segundo o China Daily, operadores turísticos reportaram um aumento significativo nas pesquisas e reservas para o Brasil logo após a confirmação da medida, destacando que o interesse deverá intensificar se com a aproximação das festividades do Festival do Meio Outono e outros períodos de férias na China[6]. A agência Xinhua sublinhou igualmente que a decisão foi recebida de forma muito positiva pelo sector do turismo chinês, considerando que a simplificação de procedimentos administrativos reduz custos, aumenta previsibilidade e favorece destinos de longa distância como o Brasil[7]. Estes sinais de mercado indicam que a política de facilitação de vistos poderá traduzir se, a curto prazo, numa aceleração concreta do fluxo turístico bilateral.



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Ministro do Turismo do Brasil, Gustavo Feliciano, com a Ministra da Cultura, Margareth Menezes
Foto: cortesia do Ministério do Turismo


O reforço da promoção turística foi igualmente debatido ao mais alto nível institucional. O Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, e a Ministra da Cultura, Margareth Menezes, reuniram se para definir acções conjuntas de promoção do Brasil na China, sublinhando que a articulação entre as duas áreas é essencial para consolidar a presença do país naquele mercado estratégico. Segundo o Ministro do Turismo, “Temos excelentes roteiros e atrativos, que despertam muito interesse dos turistas chineses, como a Amazónia, o Pantanal, as Cataratas do Iguaçu, nossa fauna e flora, e os diversos biomas. Estamos prontos para recebê los. Essa articulação entre ministérios é fundamental para que possamos, juntos, definir ações de divulgação e parcerias que atraiam chineses para o nosso país”[4]. A declaração evidencia uma estratégia integrada que combina diplomacia cultural, promoção turística e construção de parcerias internacionais.

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Foto: cortesia do Ministério do Turismo


O Plano Nacional de Turismo 2024 2027 estabelece como meta alcançar 8,1 milhões de turistas internacionais até 2027, promovendo simultaneamente sustentabilidade ambiental, inclusão social e desenvolvimento regional. A superação desse patamar já em 2025 evidencia capacidade de execução acima das previsões iniciais[2]. O plano enfatiza a interiorização do turismo, a qualificação profissional, a digitalização do sector e a inovação tecnológica como pilares de um novo ciclo de crescimento.

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Neste enquadramento, abrem se oportunidades significativas para pequenas e médias empresas internacionais interessadas em investir no Brasil. O fortalecimento da cadeia produtiva do turismo requer parcerias em hotelaria, gestão de destinos, plataformas digitais de reservas, soluções de pagamento adaptadas ao público asiático, tecnologia aplicada à experiência do visitante, formação técnica e desenvolvimento de produtos turísticos segmentados. Empresas chinesas encontram num mercado interno de mais de 213 milhões de consumidores, aliado a um fluxo internacional crescente, um ambiente propício à expansão estratégica.


A cooperação pode igualmente abranger a criação de rotas culturais temáticas, intercâmbios artísticos, projectos de economia criativa e desenvolvimento de infra estruturas turísticas sustentáveis, particularmente em regiões de elevado valor ambiental, como a Amazónia e o Pantanal. O Brasil tem vindo a posicionar se como referência em turismo sustentável e bioeconomia, defendendo que a preservação ambiental pode gerar rendimento, emprego qualificado e inovação empresarial.


A consolidação da nova fronteira turística sino brasileira dependerá ainda do reforço da conectividade aérea e da promoção segmentada junto do mercado chinês. Contudo, os elementos estruturais já estão em curso: números recorde de visitantes internacionais[2], crescimento consistente do fluxo chinês[4], facilitação de vistos[5] e alinhamento institucional entre cultura e turismo.

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Foz do Iguaçu

Foto: cortesia de Ibrachina


Quando se afirma Brasil e China: Uma Nova Fronteira Turística, a expressão reflecte uma transformação concreta e mensurável. O turismo passa a integrar de forma estruturante a parceria estratégica global entre os dois países, não apenas como sector económico, mas como plataforma de aproximação cultural, inovação empresarial e desenvolvimento sustentável.


Do ponto de vista do investimento, o Brasil dispõe igualmente de instrumentos financeiros estruturados que podem apoiar projectos turísticos com participação de pequenas e médias empresas estrangeiras. O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) oferece linhas de financiamento para infra estruturas, modernização da hotelaria, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental, incluindo projectos enquadrados na economia verde e na transição energética. Complementarmente, o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur+Turismo), coordenado pelo Ministério do Turismo, disponibiliza mecanismos de apoio financeiro destinados à melhoria de equipamentos públicos, qualificação de destinos e fortalecimento da cadeia produtiva regional. Estas ferramentas reforçam a segurança institucional e financeira para investidores internacionais interessados em estabelecer parcerias estratégicas no mercado brasileiro[8].



Fontes

[1] UNESCO – Lista do Património Mundial no Brasil.
[2] Ministério do Turismo do Brasil – Balanço anual do turismo internacional, 2025.
[3] Ministério do Turismo do Brasil / Agência Gov – Dados oficiais de entradas internacionais, Janeiro de 2026.

[4] Ministério do Turismo do Brasil – Comunicado oficial sobre reunião entre os Ministérios do Turismo e da Cultura e dados de turistas chineses (2025 e 1.º trimestre de 2026).

[5] Governo da República Popular da China – Anúncio oficial sobre isenção recíproca de vistos entre China e Brasil, Maio de 2026.

[6] China Daily – Reportagem sobre aumento da procura de viagens para o Brasil após anúncio da isenção de vistos, 2026.

[7] Xinhua – Cobertura oficial sobre a implementação da isenção recíproca de vistos entre China e Brasil, 2026.

[8] BNDES – Linhas de financiamento para o sector do turismo; Ministério do Turismo do Brasil – Programa Prodetur+Turismo.