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Semana Cultural promove novo encontro artístico sino-lusófono
Tempo de liberação:2026-10-05
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Decorreu entre Junho e Julho a 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, com uma extensão inédita à Província de Qinghai. Macau voltou a ser o ponto de partida do programa, que passou também por Pequim

 

A música, a dança, a gastronomia e o artesanato voltaram a servir de instrumentos de aproximação entre povos durante a 18.ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. Organizado entre 27 de Junho e 10 de Julho pelo Secretariado Permanente, o certame partiu de Macau, estendeu-se pela primeira vez à Província de Qinghai, no Oeste do Interior da China, e animou Pequim pelo segundo ano consecutivo.

Entretanto, está já prevista uma nova extensão – agora para fora da China – da Semana Cultural. Em 2027, o certame deverá estrear-se num país de língua portuguesa, cuja escolha ainda não foi anunciada. A iniciativa pretende alargar a dimensão internacional do evento e criar um novo espaço de contacto entre as culturas chinesa e lusófona.

Subordinada ao tema “Encontros Culturais Sino-Lusófonos, Amizade sem Fronteiras”, a edição deste ano da Semana Cultural procurou reforçar o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, potenciando o desenvolvimento económico e comercial através da cooperação cultural. O programa incluiu espectáculos de música e dança, visitas culturais e turísticas, uma mostra gastronómica e, pela primeira vez, uma exposição de artesanato.

A organização apresentou a extensão do evento ao Interior da China como uma continuação do modelo de “interligação entre três cidades”, inaugurado em 2025, ano em que o evento incluiu, além de Macau, paragens em Pequim e Zhongshan. Pretendeu-se assim consolidar a estratégia de levar a Semana Cultural para além de Macau e reforçar a sua presença no Interior da China.

 

Inauguração em Macau

 

A programação em Macau começou a 26 de Junho com a Mostra Gastronómica dos Países de Língua Portuguesa, no restaurante Fado, no Hotel Royal Macau. A iniciativa reuniu três chefs: o português Luís Américo, a timorense Carlota Da C. Freitas e a macaense Marina de Senna Fernandes.

A 29 de Junho, foi inaugurada, na Galeria do Instituto para os Assuntos Municipais, a Exposição de Artesanato dos Países de Língua Portuguesa. Aberta ao público entre 30 de Junho e 5 de Julho, a mostra reuniu peças oferecidas pelas delegações dos Países de Língua Portuguesa ao Secretariado Permanente do Fórum de Macau ao longo de mais de duas décadas desde a criação do organismo.

A exposição, sob o tema “Policromia Lusófona”, apresentou artigos de uso quotidiano, instrumentos musicais tradicionais, peças decorativas de madeira e cerâmica e outros objectos associados às tradições e aos modos de vida dos países lusófonos.

A cerimónia de abertura da Semana Cultural em Macau realizou-se a 30 de Junho, no Largo do Senado, seguindo-se um espectáculo de música e dança que reuniu artistas de Macau e de oito Países de Língua Portuguesa, tendo-se repetido no dia seguinte. Subiram ao palco grupos e artistas do Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. O programa incluiu diferentes tradições musicais e performativas, procurando apresentar a diversidade cultural dos espaços chinês e lusófono.

Durante a cerimónia de abertura do evento, o Secretário-Geral do Secretariado Permanente do Fórum de Macau, Ji Xianzheng, recordou que o Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial para o período entre 2024 e 2027, aprovado na 6.ª Conferência Ministerial do Fórum de Macau, em Abril de 2024, salienta a importância da realização da Semana Cultural. Os Países Participantes no Fórum de Macau acordaram igualmente naquela ocasião em promover actividades de intercâmbio cultural no Interior da China. Segundo Ji Xianzheng, a edição de 2026 visou dar continuidade a esse entendimento, reforçando o papel de Macau enquanto plataforma de ligação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

 

Passagem inédita por Qinghai

 

A 4 de Julho, a Semana Cultural chegou pela primeira vez a Qinghai, com espectáculos e outras actividades em Xining, capital da província. A programação, que se prolongou até ao dia seguinte, combinou intercâmbio cultural com actividades de promoção económica e comercial.

A agenda incluiu o Encontro de Cooperação Comercial e Cultural Qinghai-Macau e Países de Língua Portuguesa, organizado conjuntamente pelo Governo da Província de Qinghai e pelo Secretariado Permanente do Fórum de Macau. A iniciativa reuniu mais de 300 participantes, entre representantes oficiais, empresários e artistas de Qinghai, Macau e dos países lusófonos.

Na abertura, Ho Hau Wah, Vice-Presidente do Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, defendeu o reforço da articulação entre Macau e Qinghai. Entre as propostas apresentadas estiveram o aprofundamento da cooperação estratégica, o reforço dos canais de promoção dos produtos de Qinghai e o aproveitamento da Semana Cultural para intensificar os contactos. O responsável defendeu ainda uma maior articulação entre o papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa e a posição de Qinghai como ponto de abertura ao exterior no Oeste da China.

Por seu lado, Wu Xiaojun, Secretário-Geral do Comité Provincial de Qinghai do Partido Comunista da China, considerou a realização da Semana Cultural na província uma oportunidade para reforçar a abertura económica de Qinghai e aprofundar os intercâmbios comerciais, económicos e culturais com os países lusófonos.

Também presente no Encontro de Cooperação Comercial e Cultural Qinghai-Macau e Países de Língua Portuguesa, o Embaixador de Cabo Verde na China, Arlindo do Rosário, apontou as infra-estruturas, as energias renováveis, as cadeias de valor alimentar, o ecoturismo, a inovação tecnológica, o comércio e o financiamento como áreas com potencial para a cooperação sino-lusófona. O diplomata destacou a importância do desenvolvimento de ecossistemas industriais avançados, nomeadamente através de zonas de comércio livre e parques tecnológicos, e apelou às empresas chinesas para que aproveitem as oportunidades de investimento nos Países de Língua Portuguesa.

Fu Jianguo, Presidente da Associação das Empresas Chinesas de Macau, defendeu, durante o evento, o reforço da promoção internacional dos produtos de Qinghai e a procura de novas formas de cooperação em áreas como a circulação de mercadorias, a logística de cadeias de frio e os serviços urbanos.

Na sua intervenção, Ji Xianzheng associou a extensão da Semana Cultural a Qinghai ao acordo de cooperação celebrado em 2025 entre o Secretariado Permanente do Fórum de Macau e a província. O responsável defendeu a importância da cultura como elo de ligação, além do aprofundamento da cooperação em áreas como as energias limpas, a medicina tradicional chinesa e o turismo ecológico e cultural.

Durante o encontro, foram assinados três acordos de cooperação, nas áreas económica, comercial e cultural. Realizaram-se ainda uma bolsa de contactos empresariais Qinghai-Macau e uma sessão de apresentação do Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa.

A programação cultural em Xining incluiu apresentações por dez grupos artísticos de Qinghai, Macau e dos Países de Língua Portuguesa, que actuaram durante dois dias na Praça Tangdao 637.

A passagem por Qinghai incluiu ainda uma visita ao Lago Qinghai no dia 6 de Julho. Os artistas dos oito países lusófonos participantes e de Macau tiveram contacto com paisagens, tradições e actividades culturais da região, incluindo manifestações ligadas à cultura tibetana.

 

Regresso a Pequim

 

A última etapa da 18.ª edição da Semana Cultural teve lugar em Pequim, a 9 de Julho, no Teatro Concha do Parque Chaoyang. Depois da estreia na capital chinesa em 2025, os espectáculos de música e dança regressaram à cidade.

Na cerimónia de abertura, António Serifo Embaló, Decano do Corpo Diplomático dos Países de Língua Portuguesa na China e Embaixador da Guiné-Bissau no país, destacou o papel da cultura na aproximação entre diferentes visões do mundo e na criação de relações entre os povos.

Seguiram-se actuações de grupos artísticos de Pequim, Macau e dos oito Países de Língua Portuguesa, num espectáculo que reuniu diferentes tradições musicais e performativas.

Estava prevista uma segunda sessão para 10 de Julho, mas o espectáculo foi cancelado devido ao aviso laranja de chuva intensa emitido pelas autoridades de Pequim.